PAIS SEPARADOS= FILHOS ANSIOSOS?

13 de Abril, 2017

PAIS SEPARADOS= FILHOS ANSIOSOS?

Quando falamos em separação dos pais, não falamos necessariamente de medo e ansiedade de separação nos filhos. Sabemos que o medo e ansiedade são emoções adaptativas importantes para a preservação da vida humana e de qualquer espécie. No desenvolvimento infantil o medo de separação da mãe, pai, cuidadores ou figuras de vínculos afetivos significativos podem ser considerados normais, em determinados contextos. A criança e adolescente podem interpretar como uma possível ameaça à sua integridade física e emocional separar-se de seus protetores. Geralmente essas manifestações devem seguir um processo natural, sem maiores preocupações. Portanto, é relevante o conhecimento das etapas do desenvolvimento infantil e orientação adequada quando surgirem dúvidas.

No decorrer da vida da criança, ocorrem vários contextos onde a separação dos pais torna-se necessária, como a ida para a escola, passeios, o próprio crescimento da criança, a chegada da adolescência, entre outras, que vão exigindo outras demandas.

Quando a separação dos pais ocorre por divórcio, ou por outros motivos, dependendo da idade e como os pais a conduzem, a criança pode desenvolver dificuldades emocionais e de comportamento. A separação do casal pode gerar sofrimento, sensação de perdas e frustrações entre os envolvidos. Para a criança que assiste esse cenário de conflitos, desentendimentos, brigas onde os protagonistas são as pessoas que mais ama e que tanto necessita, o sofrimento pode ser mais intenso.

A criança percebe que algo está acontecendo, que seus pais estão preocupados, tristes, estressados. Quando uma família se constitui, os papéis de cada um são estruturados, uma rotina se estabelece. Com a separação, se perde também a segurança dessa rotina, da presença da figura parental de apego, além da sensação da insegurança que o desconhecido provoca. A ansiedade patológica nas crianças vem justamente da sensação de ameaça quanto ao futuro, das incertezas, referências fragilizadas de cuidado, insegurança. Dependendo da idade os sintomas podem variar desde comportamentos regressivos (voltar a fazer xixi na cama, uso de chupeta), como fantasias de que a separação é temporária, sentimentos de culpabilização (feito algo errado) pela separação dos pais, atitudes de autopunição pelo ocorrido, dificuldades na aprendizagem, agressividade, impulsividade, dificuldades de seguir limites e obedecer às regras, entre outros comportamentos disfuncionais.

Importante salientar que todos esses sintomas listados, não necessariamente são desenvolvidos quando as crianças vivenciam a separação dos pais com muito diálogo e esclarecimento. Quando os pais conversam sobre o que está acontecendo, de forma esclarecida, a separação ocorre num contexto amigável, favorecendo muitas vezes o desenvolvimento de crianças mais fortalecidas emocionalmente, com maior facilidade de adaptação às mudanças, mais tolerantes à frustração e capacidade de empatia.


Rogéria Leal Renz Psicóloga do NAP